São Paulo, 16 de Setembro de 2011


Faltam mil dias para a Copa do Mundo no Brasil
 
A vitória da candidatura brasileira para sediar a Copa do Mundo em 2014 foi declarada em 2007. Desde então, houve uma intensa movimentação para diagnosticar ações necessárias para o mundial, identificar projetos e fontes de financiamento, cumprir etapas preparatórias para os investimentos.

Nem tudo ocorreu ou vem ocorrendo no cronograma previsto, de forma que obras importantes pudessem ser concluídas com bastante antecedência. Nem todas as decisões contemplaram as ansiedades ou a lógica da sociedade. No entanto, os investimentos atualmente em andamento ou em licitação devem contribuir de forma incisiva para a organização eficiente da Copa do Mundo e ajudar a melhorar as condições de infraestrutura e de serviços públicos nas cidades e no Brasil.

Em 2009, a Abdib concluiu um estudo que, com a Copa do Mundo do radar, objetivou tanto diagnosticar carências nas áreas de infraestrutura e de serviços públicos quanto identificar projetos de investimento capazes de reduzi-las ou eliminá-las. Nas 12 cidades então escolhidas para serem sedes da Copa 2014, foram identificados 872 projetos compreendendo investimentos estimados em R$ 113,3 bilhões. Os empreendimentos listados - alguns deles em fase de planejamento, outros em estudo ou em obras - foram informados pelos comitês locais criados pelas cidades para organizar o megaevento esportivo.

Um aspecto é bastante importante dentro dos princípios e dos conceitos que nortearam o estudo. Os projetos identificados não foram listados por atenderem exclusivamente a Copa do Mundo, mas principalmente porque têm potencial para reduzir ou eliminar deficiências e carências atuais ou previstas tanto na infraestrutura quanto na rede de serviços públicos.

Por isso, não é apropriado cravar que o Brasil requer R$ 113,3 bilhões para organizar a Copa do Mundo de 2014. A lógica é outra. O País precisa deste valor  e de muito mais do que isso - para melhorar a oferta de serviços aeroportuários e de transporte público, de saneamento básico, segurança e saúde pública, entre outros, que atendem também a organização do evento esportivo, mas prioritariamente e primeiramente, as perspectivas de crescimento econômico e de desenvolvimento social.

Um evento do tamanho da Copa do Mundo é desafiador, mas também uma enorme oportunidade, pois pode funcionar como um catalisador de decisões e de ações governamentais e privadas para antecipar e acelerar um conjunto de investimentos que a sociedade demanda já atualmente e que seria feito somente no médio prazo. Como há um calendário a ser cumprido, que não pode ser ignorado, é imprescindível dar celeridade aos projetos e às soluções. Faltam mil dias para a Copa do Mundo de 2014, um prazo significativo para fazer e entregar muitos serviços para a sociedade - inclusive para o mundial de futebol.
Autor: Paulo Godoy é presidente da Abdib

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