Terça-feira, 15 de Setembro de 2015
Fonte: O Estado de S. Paulo

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Setores da indústria criticam pacote para equilibrar contas
 
Setores da indústria criticaram ontem o pacote de medidas de redução do déficit fiscal anunciado pelo governo federal.

O presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, prevê perdas do setor com os cortes que afetam o programa Minha Casa Minha Vida. “Com essa queda da previsão de gasto do Minha Casa Minha Vida, por exemplo, haverá menos demanda por máquinas”, disse.

Seu prognóstico é de que o faturamento da indústria de máquinas deve registrar queda real de 15% em2015 ante 2014, enquanto o PIB do País recuará “mais de 2%”. De janeiro a julho deste ano, o faturamento da indústria de máquinas e equipamentos acumula queda de 7% em relação a igual período do ano passado, ao somar R$ 50,6 bilhões, de acordo com dados da Abimaq. Já o consumo aparente, ou seja, indicador que mede a produção interna mais importações e exclui exportações, caiu 4,6% nesse período para R$ 78,1 bilhões.

A Associação Brasileira da Indústria Química também reagiu às novas medidas fiscais. “Infelizmente, mais uma vez atacamos gravemente a competitividade da indústria brasileira de modo geral e, em especial, da indústria química”, afirmou Fernando Figueiredo. Para ele, um dos impactos virá com a redução pela metade do benefício concedido à indústria química brasileira, a partir da incidência menor de PIS/Cofins.

Para o ano seguinte, o benefício será zerado, contrariando a expectativa da mudança do setor para final de 2018. Além disso, a alíquota do Reintegra, um regime que favorece os exportadores, ficará em 1% em 2017, número que subirá para 2% em 2018 e 3% em 2019. “Apesar de toda a alta do dólar, será quase impossível competir com fabricantes estrangeiros”, declarou Figueiredo. O setor químico acumulou déficit comercial de US$ 31,2 bilhões em 2014, número que deveria ficar praticamente estável neste ano.

A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) classificou o novo corte de investimentos e programas sociais anunciado pelo governo como “um remédio amargo, mas necessário”, por conta do “perigoso desarranjo orçamentário e fiscal dos últimos anos”.

Já a mudança nas alíquotas do Reintegra, regime especial de tributação das exportações, vai atrapalhar a única válvula de crescimento neste momento, que é o setor externo, afirmou José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

A Federação Brasileira de Bancos divulgou nota ontem em defesa dos ajuste anunciado pelo governo. Para a entidade, as mudanças “refletem o compromisso do governo em promover o equilíbrio fiscal”.

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